PORTA ABERTA
ERA PRIMAVERA
O Projeto
Será possível sentir a falta de algo que, em nós, nunca existiu?
Será possível que a revelação de memórias e vivências antigas, por parte de pessoas que não chegamos sequer a conhecer, desperte no nosso interior coletivo o espírito de vitalidade, de luta, de solidariedade ou de harmonia?
Estas foram questões que, apesar de não terem sido o ponto de partida inicial deste projeto, se mostram pertinentes e coerentes com o objetivo final e a perspetiva urgente de, na atualidade, refletir.
Sem rodeios nem romances, há um sentimento de perda de algo quando o assunto é a Escola Artística António Arroio – a pura socialização entre alunos e o interesse pelo outro.
Preocupa-nos pensar num ambiente que antes, de forma natural, os alunos criavam laços, partilhando a sua identidade genuína, sem pré-conceitos criados pela intervenção de um feed pessoal do Instagram.
A partir do ano de 2020, presenciamos uma grande mudança de comportamento dos adolescentes que começaram o secundário depois da trágica pandemia do Covid-19, o que os habituou ao sedentarismo, à individualidade e ao desaparecimento da iniciativa e conforto em socializar.
O Projeto Porta Aberta - Era Primavera, pretende alertar o início de um grande problema, que passa despercebido aos olhos de uma maioria.
A socialização é um aspecto que nos afeta e nos insere na sociedade desde os nossos primeiros anos, e é um âmbito que, quando ausente, tem o potencial de transformar o nosso emocional e a nossa perspectiva perante as coisas.
Levando em consideração que os alunos que frequentam a António Arroio são estudantes profundamente conectados com a área artística, esse aspecto torna-se ainda mais essencial e primordial, tendo em conta que somos os “alunos dos sentidos” e que a socialização nos proporciona um ambiente de união, de fazer parte, de partilha de ideias, conceitos e trabalhos.
Para além do bem-estar interno e coletivo, uma boa roda de amigos e um bom ambiente comunitário abrem portas para a diversidade artística e profissional, sendo um incentivo à criatividade e ao trabalho conjunto.
Foi a partir da identificação deste problema social entre os jovens, que aceitamos o desafio de desenvolver um projeto artístico colaborativo, no âmbito da disciplina de Gestão das Artes, e sentir na pele os desafios da cooperação, mesmo com pessoas que nos são estranhas, mas a pensar numa abordagem mais efetiva em relação ao nosso objetivo comum: que junta o Coletivo Prisma e o Coletivo Artístico 165, alunos finalistas do 12ºQ e do 12R, do Curso de Comunicação Audiovisual da Escola Artística António Arroio.
Por conseguinte, apresentamos uma programação diversificada, que pretende revitalizar o sentido de comunidade, sensibilizar os jovens para este assunto-tema e proporcionar, na prática, a socialização, interação e convívio entre todos.
O Coletivo Artístico 165 e o Coletivo Prisma, reivindicam uma Arroio que mostre as suas raízes artísticas novamente. Manifestamo-nos por um retorno da Primavera, que uma vez existiu, para despoletar que as portas se voltem a abrir.
Contamos ver esta socialização florescer novamente.